quinta-feira, 30 de junho de 2011

Em meio século três definições de pobreza: inclusão, marginalidade e exclusão



11 – Em meio a um século, três definições de pobreza

Pobreza incluída: era uma pobreza que se produzia em um lugar e não era transmitido a outro lugar. 70

Marginalidade: o consumo se impõe como um dado importante, pois constitui o centro da explicação das diferenças das situações. 71

Pobreza estrutural globalizada: a pobreza atual resulta da convergência de causas que se dão em diversos níveis.

Da política dos Estados a política das Empresas: a relação incestuosa entre Estado e Corporações



10 – Da política dos Estados a política das empresas - Milton Santos 

A cidadania plena é o dique contra o capital pleno. 64

A globalização mata a noção de solidariedade, desenvolve no homem a condição primitiva de cada um por si, como se voltássemos a ser animais da selva, reduz as noções de moralidade pública e particular a um quase nada. 65

A política agora é feita pelo mercado. So que esse mercado global não existe como ator, mas como ideologia, um símbolo. Os atores são as empresa globais, que não tem preocupações éticas, nem finalisticas. 67

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A violência estrutural e a perversidade sistêmica: o medo gerando violência



9 - A violência estrutural e a perversidade sistêmica

Num mundo globalizado, regiões e cidades são chamadas a competir e diante de tais regras atuais de produção e dos imperativos atuais de consumo, a competitividade se torna também uma regra de convivência entre as pessoas. 57

Jamais houve na história um período em que o medo fosse tão generalizado e alcançasse todas as áreas da nossa vida: medo do desemprego, medo da fome, medo da violência, medo do outro. 58

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Competitividade, Consumo e confusão de espíritos: o globalitarismo e ação



8 – Competitividade consumo, confusão de espíritos globaritarismo

Neste mundo globalizado, a competitividade, o consumo, a confusão de espíritos constituem baluartes do presente estado das coisas. A competitividade comanda nossas formas de ação. O consumo comanda nossas formas de inação. A confusão de espírito impede o nosso entendimento do mundo, do país, do lugar, da sociedade e de cada um de nós mesmos. 46

A concorrência atual não e a mais velha concorrência, sobretudo porque chega eliminando toda a forma de compaixão. A competitividade tem a guerra como norma. 46

Atualmente as empresas hegemônicas produzem o consumidor antes mesmo de produzir os produtos. Daí o império da informação e da publicidade. 48

Consumismo e competitividade levam ao emagrecimento moral e intelectual da pessoa, a redução da personalidade e da visão do mundo, convidando também a esquecer a oposição fundamental entre a figura do consumidor e a figura do cidadão. 49

Passamos de um uso imperialista, que era, também um uso desigual e combinado, segundo os continentes e os lugares, a uma presença obrigatória em todos os países dos sistemas técnicos hegemônicos, graças ao papel unificador das técnicas de informação. 52

Na esfera da sociabilidade, levantam-se utilitarismos como rega de vida mediante a exacerbação do consumo, dos narcisismos, do imediatismo, do egoísmo, do abandono da solidariedade, com a implantação galopante de uma ética pragmática individualista. 54

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Tirania da informação e do dinheiro: o mundo através de uma única lente




7 - Tirania da informação e do dinheiro

Informação é oferecida a população como motor da vida social. 38

O que é transmitido a maioria da humanidade é, de fato, uma informação manipulada que, em lugar de esclarecer, confunde. 39

No mundo atual o discurso antecede obrigatoriamente uma parte substancial das ações humanas. 39

A publicidade se tornou um elemento que antecipa a produção. 39

Há uma relação carnal entre o mundo da produção da notícia e o mundo da produção das coisas e normas. 40

A aldeia global é definida como: “O fato é que somente três praças, Nova Iorque, Londres e Tóquio concentram mais da metade de todas as transações e ações, as empresas transnacionais são responsáveis pela maior parte do comércio mundial; os 47 países menos avançados representam juntos apenas 0,3% do comércio mundial em lugar dos 2,3% em 1960.41

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Uma globalização perversa: a transformação da competição em competitividade


Capítulo III – Uma globalização perversa

A competitividade, sugerida pela produção e pelo consumo, é a fonte de novos totalitarismos, mais facilmente aceitos graças a confusão de espíritos que se instala. 37


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Um período que é uma crise: o enfrentamento entre forças homogeneização e heterogenização





6 - Um período que é uma crise

Como crise, as mesmas variáveis construtoras do sistema estão continuamente se chocando e exigindo novas definições e novos arranjos. 34

Neste período histórico a crise é estrutural. Tirania do dinheiro e tirania da informação são os pilares da produção da historia atual do capitalismo globalizado. 35

A associação entra tirania do dinheiro e a tirania da informação conduz, desse modo, a aceleração dos processos hegemônicos, legitimados pelo pensamento único.35

O mesmo sistema ideológico que justifica o processo o processo de globalização, ajudando a considera-lo o único caminho histórico, acaba, também, por um impor uma certa visão da crise e a aceitação de remédios sugeridos. 36



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Aula 5 - A cognoscibilidade do planeta: transformando o mundo e tudo o que há no mundo em mercadoria



5 - Cognoscibilidade do planeta

Esse período técnico cientifico da história permite o homem não apenas utilizar o que encontra na natureza: novos materiais são criados em laboratório como um produto da inteligência do homem.32

Com a globalização e por meio da empirização da universalidade que ela possibilitou, estamos mais perto de construir uma filosofia das técnicas e das ações correlatas, que seja também forma de conhecimento concreto do mundo tomado como um todo e das particularidades dos lugares, que incluem condições físicas, naturais e artificiais e condições políticas. 

As empresas na busca da mais valia desejada, valorizam diferentemente as localizações. 33


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Aula 4 - A convergência de momentos: a alteração do tempo e do espaço pelas novas tecnologias









3 - Convergência de Momentos

O tempo real também autoriza usar o mesmo momento a partir de múltiplos lugares, em todos os lugares a partir de um só deles. 28

A historia é comandada pelos grandes atores desse tempo real, que são, ao mesmo tempo, os donos da velocidade e os autores do discurso ideológico. 28




Aula 3 - A unicidade técnica: a plataforma da expansão capitalista global



2 - Unicidade Técnica

As técnicas se dão como famílias. Nunca, na história do homem aparece uma técnica isolada, o que se instala são grupos de técnicas.

Convergência de momentos, simultaneidade de ações, acelerando o processo técnico

Ator hegemônico utiliza as técnicas mais sofisticadas

As técnicas apenas se realizam, tornando-se história, com a intermediação política, isto é, política das empresas e da política dos Estados, conjunta e separadamente. 26

Computador é a peça central da unicidade das técnicas: mais valia mundial


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Aula 2 - A produção da globalização: Estado das Técnicas e Estado da Política



Capítulo II – A produção da globalização

Estado das Técnicas e o Estado da Política

As técnicas são oferecidas como sistema e realizadas de forma combinada através de formas de trabalho, momentos, e lugares de uso. 24


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Aula 1 – O mundo como fábula, como perversidade e como possibilidade





Discurso único: informação e seu império. 18

Três mundos: globalização como fábula (mídia informação); o segundo seria o mundo tal como ele é (globalização como perversidade) e o terceiro como ele pode ser (uma outra globalização) 18

Globalização como Fábula

Globalização Fábula: Maquina ideológica

Difusão instantânea de Informação: informa pessoas

Homogeneizar, uniformizar

Morte do Estado, consumo

Globalização perversidade

Desemprego, epidemias, qualidade de vida

Por uma outra globalização: o mundo como poder ser
A base técnica

Sociodiversidade (aglomeração) – cultura de massas (comunicação)


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Milton Santos: Resenha do livro Por uma Outra Globalização

O livro do professor Milton Santos nos leva a ver a globalização por um outro prisma que não é definitivamente pessimista como também não é definitivamente um prisma otimista. O livro “Por uma outra globalização” nos leva de fato a entender a globalização como uma “outra globalização” no sentido de que é possível transformar o que hoje esta aí. A realidade não é um fato dado, mas uma construção contínua que tem re-arranjos diários e semanais e daí a intensa força que o sistema faz para manter o curso das coisas.

Dentro deste contexto a primeira coisa que Milton Santos vai nos alertar é sobre o mundo enquanto ideologia. A ideologia não cria nada, mas ele é uma arma poderosa para manter o curso das criações efetivadas por certos grupos sociais. Daí a expressão usada pelo autor “o mundo como fábula”. A construção desta fábula é feita diariamente e incessantemente e o principal agente desta construção miraculosa é a mídia e os sistemas de comunicação. É através da mídia que o sistema ganha impulso tanto em questão de consumo, quanto de aceitação e tanto quanto de normalidade.


Hoje política, mercado e mídias são tão integrados que pode se afirmar que eles formam um único sistema: o meio técnico científico informacional. A chamada unicidade técnica permite o inter-relacionamento de diversos modos de produção, a mídia a convergência de momentos e o capitalismo global o motor único. A convergência entre esses elementos se dá em cima do capital (do dinheiro) produzindo a chamada “tirania do dinheiro” que também é uma tirania da informação. O capital regrando, confabulando e se mesclando com toda a sociedade tanto em termos materiais quanto em termos ideológicos. É esta integração profunda do cerne da sociedade com o capitalismo que tem gerado a chamada competitividade.


A competitividade não se dá apenas com empresas e com o comércio e geral, mas por ser ideológica ela passa a se dar com as pessoas também. As pessoas se tornam competitivas entre si quebrando os princípios sociais da solidariedade e os princípios éticos que permitem uma convivência social. Esta áurea de competitividade acirrada gera a chamada “violência estrutural” que tem como base o fato de todos serem chamados a competir sob a lógica global da reprodução capitalista: “Num mundo globalizado, regiões e cidades são chamadas a competir e diante de tais regras atuais de produção e dos imperativos atuais de consumo, a competitividade se torna também uma regra de convivência entre as pessoas” (Santos, 2001, p.57).


Não há mais uma divisão nítida entre o comportamento das pessoas e o comportamento das pessoas de forma que a política (cerne da atividade de organização humana) passa a ser dominada pelas empresas daí a expressão “da política dos Estados a política das empresas”. A globalização tem levado as pessoas a se comprometerem ideologicamente com o capital gerando uma competitividade excessiva entre as pessoas destruindo toda a solidariedade social.

A globalização mata a noção de solidariedade, desenvolve no homem a condição primitiva de cada um por si, como se voltássemos a ser animais da selva, reduz as noções de moralidade pública e particular a um quase nada. (Santos, 2001, p.65)

Novas formas de exclusão estão sendo gestadas na sociedade pelas próprias pessoas (exclusão de consumo). Do individuo pobre se passou rapidamente ao indivíduo marginalizado e agora temos o excluído que passa a ser um produto “natural” de uma sociedade altamente competitiva selada na expressão “se você não se atualizar esta fora do mercado”. O mesmo tem ocorrido com os países que não se integram a grande ciranda do capital globalizado.


Os que não se atualizam abrindo mão de sua soberania são considerados “cartas” fora do baralho internacional da globalização. No entanto, na medida em que as nações adotam a ciranda global seus territórios são destrocados, pois o capital globaliza apenas parte dele e não o todo. O mesmo se da com as pessoas: parte delas é globalizada e outra parte é colocada no caminho da exclusão social.

As ações verticais do capital (baseado em tecnologia intensiva) vão desagregando as parte do território e
desbaratando as horizontalidades (relações pessoas que se dão entre pessoas que se tornam solidárias). É neste sentido que o espaco se torna cada vez mais um lugar esquizofrênico, segundo Milton Santos, pois ele é palco de ações de empresas que visam “desagrega-lo” verticalmente (aplicar tecnologias que visam lucro) como também sofre ações de pessoas que buscam integrá-lo horizontalmente (criação de relacionamentos solidários locais). Daí o professor apontar um papel importante para “os homens lentos” (os pobres) na resistência ao processo de globalização: “A política dos pobres é baseada no cotidiano vivido por todos, pobres e não pobres, e é alimentada pela simples necessidade de continuar existindo” (Santos, 2001, p.133)

Na medida em que os homens “lentos” se tornarem mais conscientes de seu poder de “emperrar” o sistema não se atrelando “ao consumo desmedido” e resistindo aos “modismos globais” eles terão mais força no cenário global. Na mesma medida o professor aponta para a classe média. As novas técnicas de comunicação (o meio técnico científico informacional) são poderosas, mas não são apenas subservientes ao grande capital. Elas também podem ser usadas, se devidamente compreendidas (uma compreensão sistêmica) por todos os que buscam criar novos sistemas mais solidários. A tomada de consciência de seu poder é o primeiro passo para a autonomia da globalitarização e o passo seguinte é:


“O passo seguinte é a obtenção de uma visão sistêmica, isto é, a possibilidade de enxergar as situações e as causas atuantes como conjuntos e localiza-los como um todo, mostrando sua interdependência” (Santos, 2001, p. 169).